
A Eidos-Montréal anunciou a demissão de 124 funcionários nesta semana, em uma reestruturação que afeta equipes de produção e suporte. O corte também marca a saída de David Anfossi, diretor do estúdio desde 2013. A decisão amplia a crise interna da empresa e reforça a sequência de reduções conduzidas pela controladora Embracer Group desde 2023.
A nova rodada de demissões ocorre poucos meses após o estúdio ter dispensado 75 funcionários no fim de 2025. Antes disso, outros 97 postos haviam sido eliminados em janeiro de 2024, período em que um novo jogo da franquia Deus Ex teria sido cancelado. Somadas, as três ondas de cortes retiraram quase 300 profissionais da estrutura da empresa.
Eidos Montreal reduz equipes após mudanças em projetos
Segundo comunicado publicado pelo estúdio, as demissões são resultado de “mudanças nas necessidades dos projetos” e da necessidade de concentrar esforços em áreas consideradas prioritárias. Os desligamentos atingem diferentes setores internos, sem distinção de uma única equipe ou projeto específico.
A empresa não revelou quais produções foram impactadas diretamente, mas veículos especializados apontam que um projeto não anunciado foi cancelado paralelamente à reestruturação. Informações publicadas por diferentes fontes indicam que a produção estava em desenvolvimento há vários anos e enfrentava dificuldades para justificar seus custos diante do atual perfil de investimento do grupo.
A saída de David Anfossi encerra uma era no estúdio

David Anfossi ingressou na Eidos Montreal em 2007 e participou da consolidação do estúdio como uma das principais equipes ocidentais da antiga Square Enix. Como produtor e, posteriormente, diretor, ele esteve ligado a projetos como Deus Ex: Human Revolution, Deus Ex: Mankind Divided, Marvel’s Guardians of the Galaxy e ao reboot de Thief.
A empresa informou apenas que “as partes estão se separando” e que um plano de transição está em andamento. Não há definição pública sobre quem assumirá a liderança do estúdio. A ausência de um sucessor imediato reforça a percepção de que a mudança não fazia parte de um processo planejado de longo prazo.
A saída de Anfossi também ocorre em um momento de perda de protagonismo da Eidos Montreal. Após lançar Guardians of the Galaxy em 2021, o estúdio deixou de liderar grandes produções próprias e passou a atuar majoritariamente como suporte para projetos de terceiros.
O futuro da Eidos Montreal passa por Fable e Grounded 2

Atualmente, a Eidos Montreal trabalha em parceria com estúdios ligados à Microsoft. A equipe auxilia a Playground Games no desenvolvimento do novo Fable e também atua como co-desenvolvedora de Grounded 2 ao lado da Obsidian Entertainment.
Essa mudança de posicionamento acompanha a estratégia recente da Embracer, que reduziu investimentos em projetos originais de grande orçamento e passou a priorizar operações de menor risco financeiro. Desde a aquisição da Eidos Montreal em 2022, a holding sueca cancelou diversos projetos, fechou estúdios e promoveu cortes em diferentes divisões.