
A Take-Two demitiu Luke Dicken, chefe de inteligência artificial da companhia, além de uma parcela ainda não revelada de sua equipe. A informação veio a público nesta semana por meio de uma publicação do próprio executivo no LinkedIn. A decisão chama atenção porque acontece poucos meses depois de a empresa afirmar que estava ampliando o uso de IA em seus estúdios e processos internos.
Dicken ocupava o cargo de Head of AI desde o início de 2025, após mais de uma década trabalhando na Zynga, empresa adquirida pela Take-Two em 2022. Em sua mensagem, o executivo afirmou que ele e sua equipe vinham desenvolvendo tecnologias voltadas ao suporte da produção de jogos havia sete anos. A Take-Two, dona de marcas como Grand Theft Auto, NBA 2K, Borderlands e Civilization, não comentou oficialmente o caso.
Demissão expõe mudança na estratégia de IA da Take-Two
A demissão de Luke Dicken e de parte do núcleo de inteligência artificial representa a maior reestruturação da área desde que a Take-Two começou a discutir publicamente o uso de IA generativa em seus estúdios.
Nos últimos meses, o CEO Strauss Zelnick adotou um discurso ambíguo sobre o tema. Em entrevistas recentes, o executivo afirmou que a companhia estava “abraçando ativamente” a IA generativa para automatizar tarefas operacionais, reduzir custos e acelerar etapas de produção. Ao mesmo tempo, ele rejeitou a ideia de que tecnologias desse tipo possam substituir a criação humana ou participar diretamente do desenvolvimento de franquias como Grand Theft Auto.
Segundo os relatos publicados por ex-funcionários, a equipe liderada por Dicken trabalhava com modelos de linguagem, geração procedural, sistemas de machine learning e ferramentas para auxiliar equipes de design, programação e produção. A saída do grupo sugere que a Take-Two pode ter optado por desacelerar ou reorganizar internamente esses projetos.
O corte acontece quando a indústria investe mais em IA
A reestruturação da Take-Two contrasta com a direção tomada por boa parte da indústria. Empresas como Microsoft, Electronic Arts e Ubisoft vêm expandindo equipes e projetos ligados à inteligência artificial, principalmente em áreas como animação, geração de diálogos, testes automatizados e suporte à produção.
Nos últimos meses, o debate sobre IA nos games também se intensificou por causa do crescimento de ferramentas generativas e da preocupação de desenvolvedores com possíveis substituições de funções criativas. Em muitos casos, empresas justificaram demissões pela adoção de automação. A Take-Two segue caminho oposto: cortou justamente a equipe responsável por desenvolver essas tecnologias.
No curto prazo, a mudança dificilmente deve afetar projetos como Grand Theft Auto VI, já que a própria Take-Two vinha dizendo que a franquia não utiliza IA generativa em seu processo criativo. Em um setor que trata a IA como a próxima grande transformação tecnológica, a Take-Two parece apostar que, pelo menos por enquanto, o ganho estratégico continua mais ligado a equipes humanas do que a laboratórios internos de automação.