
Segundo reportagem da Bloomberg, o XBOX prepara uma ampla reestruturação interna que pode incluir demissões, cortes de orçamento e mudanças estratégicas em áreas centrais do negócio. O relatório surge poucos dias após a CEO Asha Sharma afirmar publicamente que a divisão precisa “resetar o negócio” para voltar a crescer.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, os cortes devem ocorrer após o encerramento do atual ano fiscal da Microsoft, em 30 de junho. O número de funcionários afetados ainda não foi divulgado. Além da redução de pessoal, a empresa também estaria planejando diminuir investimentos em marketing e em outras áreas operacionais. A Microsoft recusou comentar o assunto.
A possível reestruturação marca o primeiro grande movimento da gestão de Sharma, que assumiu o comando do XBOX em fevereiro e iniciou uma revisão abrangente da operação da divisão.
Números revelam pressão sobre o negócio
Em um comunicado interno obtido pela Bloomberg, Sharma apresentou um diagnóstico pouco habitual em comunicações corporativas para uma das maiores marcas da indústria de games. Segundo a executiva, a divisão deve encerrar o atual ano fiscal com uma margem de aproximadamente 3%, indicador utilizado pela Microsoft para medir rentabilidade.
A CEO também afirmou que, excluindo a aquisição da Activision Blizzard, o XBOX investiu mais de US$ 20 bilhões nos últimos cinco anos em conteúdo, plataforma e subsídios de hardware. No mesmo período, a receita anual da divisão teria recuado quase US$ 500 milhões.
Os números ajudam a explicar por que a nova liderança passou a defender mudanças estruturais na operação. Em apresentações públicas recentes, Sharma afirmou que o negócio não está em uma situação saudável e que será necessário revisar investimentos, prioridades e a forma como a empresa opera.
Exclusividade volta ao centro da discussão
A reestruturação financeira acontece paralelamente a uma revisão da estratégia de distribuição dos jogos da empresa.
Durante participação em um evento da Bloomberg, Sharma afirmou que plataformas precisam de “conteúdo e serviços exclusivos” para fortalecer seu ecossistema. Ao mesmo tempo, reconheceu que o XBOX também depende de alcançar grandes audiências para maximizar o potencial de suas franquias como publicadora global.
A declaração representa uma mudança relevante no debate interno da companhia. Nos últimos anos, a Microsoft ampliou sua presença em plataformas concorrentes, levando jogos próprios para consoles da Nintendo e da PlayStation. Essa estratégia expandiu o alcance comercial de diversas franquias, mas também levantou questionamentos sobre o valor competitivo do hardware XBOX.
Segundo a Bloomberg, a nova gestão já começou a revisar algumas decisões relacionadas à exclusividade. Segundo pessoas familiarizadas com os planos do XBOX, uma versão para PlayStation 5 de Gears of War: E-Day estava em desenvolvimento, mas teve seus planos alterados após mudanças de direção promovidas por Sharma. A informação, porém, não foi confirmada oficialmente pela Microsoft.
Crescimento, infraestrutura e o futuro do hardware XBOX
Em um memorando interno obtido pela Bloomberg, Asha Sharma afirmou que o XBOX ampliou significativamente sua estrutura nos últimos anos para sustentar iniciativas simultâneas envolvendo Game Pass, streaming, hardware, serviços de plataforma e expansão do catálogo de conteúdo. Segundo a executiva, essa estratégia contribuiu para uma operação cada vez mais complexa em um mercado onde jogos e entretenimento digital estão mais acessíveis e distribuídos entre diferentes ecossistemas.
A CEO afirmou que a empresa pretende revisar suas prioridades de investimento, reconstruir parte da infraestrutura da plataforma e reavaliar a composição de seu portfólio para os próximos anos. A análise ocorre em um momento de pressão sobre diferentes áreas do negócio, incluindo o Game Pass. Durante o Summer Game Fest, o diretor de estratégia do XBOX, Matthew Ball, revelou que o serviço perdeu milhões de assinantes após o aumento de 50% aplicado ao plano Ultimate em 2025, um movimento que gerou forte reação entre os consumidores.
Apesar desse histórico recente, Sharma afirmou que o Game Pass voltou a crescer após um período de retração e que os índices de retenção de usuários apresentaram melhora. A Microsoft, porém, não divulgou números atualizados que permitam mensurar a dimensão dessa recuperação nem quantificar quantos assinantes foram recuperados desde a mudança de estratégia.
O futuro do hardware também faz parte dessa revisão estratégica. Sharma afirmou que a indústria enfrenta uma pressão crescente nos custos de memória e armazenamento e que o XBOX poderá pagar até cinco vezes mais por esses componentes em 2027 do que pagava em 2024. Segundo a executiva, esse cenário exige uma revisão do modelo de negócios da próxima geração de consoles. O documento cita ainda o projeto Helix, iniciativa interna ligada aos planos futuros de hardware da marca. Sharma afirmou que a empresa precisará buscar novas parcerias e repensar parte de sua estratégia para manter a competitividade da plataforma diante do aumento dos custos de produção e das transformações do mercado de games.
Um novo momento para o XBOX
As possíveis demissões ganharam destaque por seu impacto imediato, mas as informações divulgadas nas últimas semanas apontam para uma transformação mais ampla dentro do XBOX. Os cortes reportados pela Bloomberg aparecem ao lado de uma revisão da estratégia de exclusivos, da estrutura de custos, do posicionamento do Game Pass e até dos planos para a próxima geração de hardware.
O conjunto dessas mudanças sugere que a Microsoft está entrando em uma nova fase para sua divisão de games. Depois de anos marcados por aquisições bilionárias, expansão de estúdios e crescimento da oferta de serviços, a prioridade agora parece estar voltada para equilibrar crescimento, rentabilidade e o papel do XBOX como plataforma própria em um mercado cada vez mais orientado por serviços e distribuição multiplataforma.