Sem Destiny 3, Bungie prepara layoffs e aposta tudo em Marathon

Bungie planeja layoffs enquanto Destiny 3 segue sem aprovação

A Bungie estaria preparando uma nova rodada de demissões após confirmar o encerramento do ciclo de atualizações contínuas de Destiny 2. Segundo reportagem da Bloomberg, o estúdio ainda não recebeu aprovação interna para iniciar a produção de Destiny 3 e deve concentrar esforços em Marathon, que passou a ocupar posição central na estratégia da companhia.

A informação surge poucos dias após a Bungie anunciar que “Monument of Triumph”, marcada para 9 de junho, será a última grande atualização de conteúdo recorrente de Destiny 2. Embora o jogo continue online e operacional, o encerramento do desenvolvimento ativo da franquia amplia a percepção de que o estúdio atravessa uma reestruturação profunda desde a aquisição pela Sony Interactive Entertainment em 2022.

Bungie ainda não teria um novo projeto aprovado

De acordo com a Bloomberg, a Bungie não possui atualmente um novo projeto aprovado para substituir a operação de Destiny 2 após o encerramento do ciclo de updates do jogo. Desenvolvedores estariam propondo novas ideias internamente, incluindo projetos ligados ao universo Destiny, mas nenhum deles teria recebido sinal verde até agora.

O relatório também afirma que parte da equipe de Destiny 2 já foi transferida para Marathon, extraction shooter multiplayer lançado neste ano para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. O jogo se tornou a principal aposta operacional da Bungie no curto prazo.

A empresa ainda não comentou oficialmente os rumores sobre demissões.

O fim de Destiny 2 muda a estrutura da Bungie

O encerramento do desenvolvimento contínuo de Destiny 2 possui impacto que vai além da própria franquia. Desde o lançamento do primeiro Destiny, em 2014, a Bungie ajudou a consolidar parte das estruturas que definiram a expansão dos jogos persistentes na última década, incluindo temporadas, monetização recorrente, progressão contínua e retenção de longo prazo.

Durante anos, publishers ampliaram investimentos em operações persistentes na tentativa de replicar o nível de retenção e receita alcançado por Fortnite e GTA Online. Fora de poucos fenômenos globais capazes de sustentar audiências massivas por anos, muitas empresas passaram a enfrentar dificuldades para manter estruturas caras, ciclos contínuos de atualização e expectativas de crescimento constante.

A própria Sony reduziu significativamente suas ambições ligadas a games como serviço após sucessivos cancelamentos internos e reestruturações de projetos associados à PlayStation Studios.

Marathon assume papel central na estratégia da Sony

A aquisição da Bungie por US$ 3,6 bilhões foi apresentada inicialmente como peça central da expansão live-service da PlayStation. Além de produzir jogos próprios, o estúdio deveria funcionar como referência operacional para outras equipes da Sony interessadas em criar ecossistemas persistentes de longo prazo.

Nos resultados fiscais mais recentes, a Sony registrou um prejuízo de aproximadamente US$ 765 milhões relacionado a ativos da Bungie após preocupações internas envolvendo o desempenho inicial de Marathon. A companhia não divulgou números oficiais de vendas ou base ativa do jogo.

Ainda assim, Marathon deixou de representar apenas uma nova IP multiplayer e passou a ocupar posição central na sustentação operacional da Bungie após o encerramento gradual de Destiny 2. A mudança também afetou a percepção da comunidade: após o anúncio da update final, a página Steam de Marathon recebeu uma onda de avaliações negativas de jogadores que associaram diretamente o novo shooter ao fim da franquia.

A retração do GaaS começa a atingir seus principais símbolos

Empresas que passaram os últimos anos perseguindo operações persistentes de grande escala começaram a rever estratégias após uma sequência de projetos caros, demorados e difíceis de sustentar comercialmente.

Resultados recentes da Sega Sammy Holdings e da própria Sony indicam desaceleração no entusiasmo corporativo em torno de jogos persistentes massivos, enquanto publishers como Capcom continuam registrando crescimento sustentado com estruturas mais controladas de produção e jogos premium tradicionais.

O caso da Bungie ganhou relevância além do próprio estúdio porque a empresa esteve entre as responsáveis por consolidar boa parte do modelo operacional que agora começa a ser reavaliado pela indústria. O encerramento do ciclo de Destiny 2, somado à ausência de Destiny 3 aprovado e aos rumores de layoffs, reforça como até mesmo algumas das principais referências do segmento passaram a enfrentar limitações econômicas e estruturais difíceis de ignorar.

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