
A Electronic Arts pode estar entrando em uma nova rodada de reestruturação interna, com possíveis demissões atingindo diferentes áreas da companhia. Até o momento, a publisher não confirmou oficialmente os cortes, mas relatos compartilhados por fontes do setor indicam que funcionários já começaram a ser informados sobre possíveis desligamentos.
A informação foi divulgada pelo analista e criador de conteúdo Destin Legarie, que afirmou ter recebido relatos de fontes que ele descreve como confiáveis sobre demissões em diferentes áreas da companhia. Segundo ele, a primeira onda de cortes seria limitada, mas pode representar o início de uma reestruturação mais ampla.
“Estou ouvindo de fontes confiáveis que as demissões estão começando na EA, embora a rodada inicial possa ser relativamente pequena”, escreveu Legarie em publicação nas redes sociais. “Funcionários estão sendo informados de que serão desligados, e me disseram que os cortes estão afetando múltiplas partes da empresa.”
A Electronic Arts não confirmou os relatos até o momento.
EA passa por novas revisões internas após cortes e processo de aquisição
Os relatos surgem após uma sequência de reorganizações promovidas pela Electronic Arts nos últimos anos. Em fevereiro de 2024, a companhia anunciou o desligamento de aproximadamente 670 funcionários, cerca de 5% de sua força de trabalho global.
Na ocasião, a empresa afirmou que concentraria investimentos em franquias próprias, experiências online de grande escala e propriedades com maior potencial de crescimento. Desde então, a publisher realizou novos ajustes internos, incluindo reduções em equipes ligadas à franquia Battlefield e no estúdio Full Circle, responsável pelo desenvolvimento de Skate.
O momento também coincide com o processo de aquisição da EA por um consórcio formado pelo fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF), pela Silver Lake e pela Affinity Partners. Anunciada em 2025, a operação avaliada em US$ 55 bilhões ainda aguarda aprovação regulatória.
A empresa não relacionou as reestruturações anteriores nem os relatos atuais ao processo de aquisição. Ainda assim, uma operação desse porte aumenta a atenção sobre a estrutura financeira da companhia, especialmente em relação a custos, investimentos e metas de crescimento.
Indústria acompanha expectativa de novos cortes
Os relatos sobre a EA surgem em um momento de forte pressão por eficiência operacional em toda a indústria de games. Desde 2023, grandes publishers e estúdios vêm promovendo reestruturações para adequar custos a um mercado marcado pelo aumento dos investimentos em desenvolvimento, pela concentração de receitas em franquias consolidadas e pelo fim do ciclo de expansão impulsionado pela pandemia.
Nos últimos meses, as reestruturações e demissões se tornaram um dos principais temas da indústria, incluindo os cortes realizados pela própria Electronic Arts em equipes ligadas à franquia Battlefield e no estúdio Full Circle, responsável pelo desenvolvimento de Skate. A tendência também atingiu empresas como XBOX e seus estúdios internos, além de desenvolvedoras de médio porte que enfrentam dificuldades para sustentar projetos premium em um ambiente de custos crescentes.
Nas últimas semanas, analistas e jornalistas especializados passaram a apontar a possibilidade de novas demissões após o encerramento do ano fiscal de diversas companhias. Além da EA, nomes como DON’T NOD e Quantic Dream foram mencionados em especulações compartilhadas nas redes sociais. Nenhuma dessas informações recebeu confirmação oficial até o momento.
Mesmo com a expectativa de crescimento da receita global do mercado de games, publishers continuam revisando portfólios e direcionando investimentos para propriedades intelectuais de maior escala e serviços de longo prazo.
Caso sejam confirmados, os cortes reforçariam uma tendência que vem marcando a indústria: mesmo com crescimento de receita, grandes publishers continuam revisando estruturas, equipes e prioridades de investimento.